quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Allan Kardec em 3D


Essa imagem de Allan Kardec foi criada e produzida por Pasquale Giacobelli em outubro de 2009, a partir das conhecidas reproduções fotográficas. É talvez, até agora, a melhor reconstituição histórica da imagem do Codificador do Espiritismo na qual o artista realça todos os detalhes possíveis, principalmente os traços fisionômicos gauleses do Professor Rivail (clique e amplie). Com exeção da jaqueta de couro, que nos pareceu um equívoco da inovação digital, a imagem acompanha curiosamente as características fotográficas anteriores.

Não sabemos qual o interesse de Giacobelli pelo Espiritismo, nem o que motivou a sua escolha, mas certamente esse trabalho de sua autoria vai mudar definitivamente cultura iconográfica espírita. O resultado é surpreendente para todos que estão acostumados com as repetidas reproduções de imagens de Kardec que circulam há décadas nos meios de comunicação. O novo protótipo muda completamente essa realidade e nos dá uma boa noção do que poderemos obter futuramente como recurso ilustrativo na abordagem das temáticas históricas e doutrinárias. Esse tipo de trabalho pode ser, por exemplo, a base de um interessante museu digital itinerante.

Que o artista não se sinta ofendido, muito menos inibido com o uso de sua obra, que daqui para frente será cansativamente citada nas centenas de publicações espíritas espalhadas pelo mundo.

A imagem foi publicada no site da CGS-SOCIETY - Sociedade de Artistas Digitais – cuja página também tem espaço para comentários. As informações colocadas como legenda da imagem estão em inglês e contém alguns pequenos erros de datas e referências.

Segue abaixo o endereço da site :

http://forums.cgsociety.org/showthread.php?t=817561

Kardec por Felix Nadar?

Seria o famoso retrato de Kardec uma das imagens feitas pelo célebre fotógrafo parisiense?


Essa fotografia em preto e branco foi produzida provavelmente na década de 1860 e, embora não haja provas conclusivas, a não ser pelo estilo, é possível que a mesma tenha sido feita por Felix Nadar, conhecido fotógrafo de celebridades parisienses.

Embora discreto, Allan Kardec era uma personalidade bastante conhecida em Paris e muito admirado exatamente por ser visto como um benfeitor da cidade, pensador de vanguarda e que desafiava, com a maioria dos inovadores, a cultura dominante na época. Por não ser radical ou intolerante, o Codificador também gozava da amizade e da consideração de diversos segmentos sociais, exceto aqueles ligados abertamente ao dogmatismo religioso.

Felix Nadar, retratista que explorou comercialmente essa então inovação tecnológica, registrou a imagem de inúmeras personalidades parisienses, incluindo alguns artistas assumidamente espíritas ou simpatizantes do Espiritismo, como foi o caso de George Sand, Victor Hugo, Sarah Bernhardt e Victorien Sardou. Foi ele também quem fotografou Pedro II quando do seu falecimento num quarto de hotel na capital francesa e as experiências de Santos Dumont na aviação.


Experiência de auto-retrato de Felix Nadar

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Os 85 anos de Wallace Leal Rodrigues

Wallace Leal Rodrigues, Dr. Pedro Francisco Barbosa e Deolindo Amorim, no VII Congreso Brasileiro de Jornalistas Espíritas em Juiz de Fora,1977. Fonte: PENSE –Pensamento Social Espírita.



Dia 13 de setembro último fez 21 anos que Wallace Leal Rodrigues retornou para o mundo espiritual. Se estivesse encarnado (11 de dezembro) estaria fazendo 85 anos. O célebre ativista capixaba foi um desses Espíritos europeus antigos que buscou o Brasil para reencarnar no século XX. No interior paulista realizou a sua marcante tarefa na seara espírita, seguindo a mesma trajetória combativa de muitos outros companheiros destinados a abrir caminhos para os militantes das horas mais avançadas das décadas seguintes.

Wallace foi um revolucionário tranqüilo e quem o conheceu não teria dificuldade para explicar esse perfil sereno, totalmente contrário do temperamento explosivo, típico das personalidades sensíveis e criativas. Foi criado com seis irmãos em Araquara, cidade pela qual tinha verdadeira paixão, expressa na constante ansiedade em transformá-la num influente centro cultural. Num celebrado texto futurista de 1964 ele imaginou como seria Araraquara em 2017. Não estava errado, a cidade seria um grande celeiro e também polo de atração de artistas e intelectuais. Foi lá que Jean Paul Sartre fez sua famosa conferência no Brasil em 1960, à convite do Professor Fausto Castilho, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Sartre estava acompanhado de Simone Beauvoir e do amigo Jorge Amado. A presença deles foi considerada “non grata” pela Igreja Católica local, que fez até campanha pelo rádio contra o evento. Não sabemos se Wallace esteve na seleta platéia da faculdade, ao lado de Fernando Henrique, Ruth Cardoso e Antônio Cândido, ou se preferiu juntar-se aos estudantes com quem Sartre conversou no Teatro Muncipal. Será que naquele mesmo dia ele também assitiu à inesquecível partida entre a Ferroviária e o Santos Football Club? O Alvinegro Praiano, que, inexplicavelmente, perdeu de quatro a zero, tinha como destaque ninguém menos que o jovem Pelé e muito outros craques, incluindo aquele que inspiraria a escolha do nosso nome, feita pelo nosso pai no ano seguinte.

Nas décadas de 1970 e 1980 Wallace atuou como editor e redator de O Clarim e também da Revista Internacional de Espiritismo, onde procurou manter aceso o idealismo de Cairbar Schutel , traduzindo obras importantes publicando artigos e entrevistas memoráveis. Quem fica conhecendo as suas atividades culturais fora do movimento espírita não consegue esconder a profunda impressão e admiração pelo seu talento e capacidade inovadora. Sem nenhum exagero, ele tinha tudo e mais um pouco para ser um dos grandes nomes de destaque da comunicação e da arte brasileira contemporâneas. Mas, ao invés de brilhar nos grandes centros, preferiu a discreta militância espírita e uma também modesta atuação cultural, típica das cidades interioranas. Sem dúvida, uma opção que causa estranheza no observador comum, mas nunca naqueles que sabem a causa das escolhas secretas e inconscientes que faz um Espírito na condição e portador de mediunidade-tarefa. Wallace precisava vencer essa prova do anonimato, da vida simples e discreta, embora sua potencialidade dissesse sempre o contrário. O médium R.A. Ranieri não escondia sua nítida impressão de que conhecia Wallace de outra existência e que tinha certeza que se tratava da escritora George Sand, ex-companheira de Chopin. Quando do desencarne de Wallace, em 1988, Ranieri lembrou num artigo publicado no seu Jornal Espírita que havia entre os dois Espíritos não somente uma grande afinidade de características intelectuais e artísticas, mas principalmente uma curiosa semelhança fisionômica. Segundo Chico Xavier, ao encontrar Allan Kardec em Paris, na manhã do dia 18 de Abril de 1857, Sand recusou como presente das mãos do Codificador o primeiro exemplar de O Livro dos Espíritos.

Ps. Na semana passada, não por acaso, conversamos por e-mail com a companheira de doutrina Maria Lúcia, quando falamos sobre a História do Espiritismo e de Espíritos revolucionários como Madame Pompadour e George Sand (Amandine Aurore Dupin). Claro que o assunto Wallace Leal Rodrigues teria que vir à tona.

George Sand (1804-1876) e Wallace Leal Rodrigues (1924-1988) Para saber mais sobre Wallace acesse:

http://www.feparana.com.br/biografia.php?cod_biog=306