sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Por onde andará Ary Casadio ?

Ary Casadio (de bigode) é o quarto da direita para a esquerda (clique na foto para ampliar)

Nas comemorações dos 60 anos do Pacto Áureo destacam-se nomes conhecidos como Leopoldo Machado e Lins de Vasconcelos e outros mais discretos, senão mais obscuros, como o médium Ary Casadio.

Quem foi esse nome que aparece nos documentos e livros como signatário e participante ativo desses eventos históricos?

Ary Casadio foi um do integrantes da famosa Caravana Fraternidade, organizada como extensão do Pacto Áureo, evento ocorrido no Rio de Janeiro em 1940 como tentativa de unificação nacional do movimento espírita. Casadio foi convidado exatamente por ser reconhecidamente médium de incorporação com alta potencialidade e sintonia. Na biografia publicada no site da FEB consta que ele ingressou no movimento espírita sob o patrocínio de Edgard Armond , mas não cita a fonte da informação. Também nas memórias do Dr. Ary Lex (60 anos de Espiritismo em São Paulo), o destino do médium foi citado com um tom de quem lamenta a fuga de um desertor: “ ...como acontece frequentemente com aqueles que são servidos, abandonou a Federação e mudou-se para Osasco, desaparecendo do meio espírita”.

Na biografia de Armond , redigida pelo próprio e codificada pelo jornalista Valentim Lorenzetti, Ary Casadio é apresentado juntamente com outros médiuns que tiveram participação significativa nos acontecimentos históricos da Federação Espírita do Estado de São Paulo- FEESP, sobretudo na formação do conselho diretor daquela entidade. A origem desse e de outros médiuns foi descrita por Armond numa narrativa na qual podemos perceber a importância daquele contexto e a qualidade dos médiuns que surgiam naquelas circunstâncias.

Mesmo assim, persistem as perguntas que não querem calar e que não tratam somente da vida de alguém especificamente e sim dos médiuns e servidores em geral:

Por onde andará Ary Casadio? O que aconteceu com ele após aqueles episódios? Por que se afastou do meio espírita? Como lidou com a sua mediunidade nesse longo período de anonimato?

“Naqueles primeiros dias, predominavam por toda parte os efeitos físicos e era marcante a falta de médiuns de confiança para o intercâmbio com o Plano Espiritual Superior; atendendo a um pedido, o Espírito Bezerra de Menezes prometeu sanar a lacuna; passados poucos meses, apareceu na Casa um rapaz moreno escuro, que se dizia graxeiro da Sorocabana, em Assis, e médium de incorporação. Submetido a uma prova, satisfez plenamente. Chamava-se Ary Casadio e ficou combinada sua mudança para a capital, sob a proteção da Casa, onde ficou alojado. Mais tarde, trouxe esposa e filhos pequenos e se dedicou inteiramente aos trabalhos da Casa, prestando durante longo tempo ótimos serviços, tanto internos como externos, em ocasiões solenes e em trabalhos práticos, inclusive depois dos congressos de unificação realizados a partir de 1947, acompanhando, inclusive, como médium, a Caravana da Solidariedade, que viajou por vários estados do País, na propaganda da unificação doutrinária. Para melhorar as condições da família, arranjou-se-lhe um emprego no Tribunal de Justiça, como escrevente; bem mais tarde formou-se em Direito e abandonou o serviço por conveniência familiar, mudando-se para Osasco.

Essa carência inicial de médiuns já levara antes à formação do Grupo Razin, com sete membros, com o que o intercâmbio melhorou grandemente. Eis os nomes de seus membros primitivos, além do comandante: Raul de Almeida Pereira, funcionário do IBC, médium de incorporação, vidência e audição; José Quintais, mais tarde funcionário do departamento de projetos da Indústria Villares: vidência, audição, psicografia e desenho mediúnico; Rubens Fortes, oficial reformado do Exército: incorporação consciente; Altair Branco, engenheiro;Luiz Verri, cabeleireiro de senhoras: vidência e audição; Paulo Vergueiro Lopes de Leão, pintor, diretor da Escola de Belas Artes.

O Grupo funcionou bem até 1950, data em que foi dissolvido por não haver concordado com a criação da Escola de Aprendizes do Evangelho, exceto dois membros: Paulo Vergueiro eCarlos Jordão, que fora convidado e passou a fazer parte do Grupo nos últimos dois anos.

Durante suas reuniões, duas coisas importantes aconteceram:

1) Manifestou-se pela primeira vez a entidade feminina designada pelo nome de "Castelã", que a partir de então, dispensou ao Grupo valiosíssima colaboração e 12 anos mais tarde, em 1953, pelo médium Divaldo, se identificou como protetora pessoal do comandante, tendo sido, na Itália papal, rainha de Nápoles, em 1481, como Margarida de Médicis.

2) Em uma de suas reuniões, em 1941, surgiu de improviso um médium desconhecido, jovem, que se dizia médico e se chama Élio. Sua trajetória foi rápida porém proveitosa. Acercou-se da reunião, no saguão do salão superior, sentou-se ao lado do comandante, ouviu durante alguns momentos uma mensagem que estava sendo transmitida e interrompeu o trabalho, convocando o comandante para uma reunião urgente. Atendendo ao solicitado, a reunião foi decidida e feita na Escola de Belas Artes, à rua Onze de Agosto, onde não haveria interrupções; acompanharam o comandante o engenheiro Altair, Luiz Verri, Lopes de Leão, diretor da Escola, e o médium. Foi nesta imprevista reunião que foram feitos os primeiros contatos com Ismael, o preposto de Jesus para a condução espiritual do Brasil, o qual, incorporado no referido médium e sob controle do vidente Verri, transmitiu suas primeiras instruções ao comandante, investindo-o na tarefa de dirigir a Federação, estabelecendo a prevalência do Espiritismo Evangélico e construindo, oportunamente, as bases para o êxito desse transcendente empreendimento espiritual”.


*Foto do arquivo digital da FERN disponibilizado por Maria da Conceição Queiroz; legenda com informações de Antonio Cesar Perri de Carvalho em artigo extraído da revista Reformador (FEB)

A Caravana da Fraternidade na capital do Rio Grande do Norte em 1949. Pela ordem da esquerda para a direita: Leopoldo Machado (calça branca e paletó escuro)- ; Luiz Burgos Filho (sem paletó); Abdias Antônio de Oliveira (paletó branco) – vice-presidente da FERN; Francisco Spinelli (paletó escuro); Major Felipe Soares (atrás, aparece só a cabeça) – presidente do Centro Espírita Victor Hugo – RN; Carlos Jordão da Silva (paletó branco e segurando chapéu); Severino Rodrigues Viana; Sebastião Félix de Araújo, ex-presidente da FERN, pioneiro da Unificação no Estado; Ary Casadio (com bigode); Major Alfredo Lemos da Silva; Sebastião Avelino de Macedo (trabalhador vinculado à orientação de juventudes); Hilpert Viana – trabalhador do Centro Espírita Victor Hugo – RN.


Nenhum comentário:

Postar um comentário